Metodologia

 

            A consulta, com o propósito de explorar a discussão em toda a sua amplitude, organizou o processo de geração e coleta de dados combinando aspectos e técnicas da pesquisa quantitativa com estratégias de aplicação de instrumento e procedimentos analíticos próprios da pesquisa qualitativa. Com o propósito de manter a coerência com os princípios orientadores da consulta, o processo de elaboração dos instrumentos contou com o diálogo, as análises críticas e as sugestões de um grupo de pessoas que compuseram o conselho consultivo, reunido por diversas vezes durante todo o processo, inicialmente entre setembro e dezembro de 2005. 

            Em seu conjunto, os instrumentos elaborados para a consulta procuraram abordar aspectos como: o conhecimento da Lei n o 10.639/2003, as diferentes visões sobre processos que envolvem as relações étnico-raciais dentro e fora da escola, a proximidade com a temática relacionada à África e à cultura afro-brasileira, o conhecimento e o contato com materiais didáticos e as atividades com eles desenvolvidas. 

            Como parte dos dispositivos metodológicos, a consulta dedicou especial atenção ao segmento de crianças de 5 e 6 anos, pertencentes à educação infantil, as quais participaram de uma série de dinâmicas cujas falas foram gravadas e transcritas. No mais, com outros atores, lançou mão de um conjunto diversificado de instrumentos, articulando questionários com perguntas de respostas abertas e fechadas com o uso de materiais imagéticos e audio-visuais que visavam provocar reflexão sobre aspectos presentes nas relações étnico-raciais. 

            Para tanto foram usados o livro A cor da vida, de Semíramis Paterno, para crianças da educação infantil e mães/pais/responsáveis, bem como para funcionários; o gibi Toinzinho apresenta Zumbi e o Dia da Consciência Negra, da Lake Livraria, para alunos da 4 a série; e o filme Kiara, corpo de rainha, para alunos da 8 a série

            Para o conjunto de atores envolvidos, com exceção dos alunos da educação infantil, foram aplicados questionários por pesquisadores de campo. Para cada ator da comunidade escolar havia um questionário distinto para aferir e aprofundar questões próprias a cada um deles. Já para a educação infantil foi utilizado um conjunto de dinâmicas que suscitassem diálogo e reflexões entre as crianças, incluindo a recontação de histórias, por parte das crianças, simulações de vivências, observação de colagens e comentários sobre elas, entre outros. 

            De modo geral, entre alunos e alunas da educação infantil procurou-se, por meio dos instrumentos, abordar alguns aspectos que nos interessavam na consulta: compreensão dos processos que envolvem as relações étnico-raciais entre as crianças nas instituições de educação infantil, bem como a familiaridade ou não delas com temas relacionados à África e à cultura afro-brasileira, e contato com materiais didáticos pedagógicos que possibilitem esses conhecimentos.  

 

      
 

Como lembra Nilma Lino Gomes (1995), é com fatos que se constrói a trama das relações sociais e raciais na sociedade e na escola. Uma pedagogia do significado das ações possivelmente seria mais sensível a essa trama cotidiana do que uma pedagogia das boas intenções

        

 

            O trabalho de campo foi precedido por um processo de capacitação das equipes em cada cidade (São Paulo, Salvador e Belo Horizonte), as quais foram orientadas de forma que adotassem procedimentos padronizados em termos da abordagem e da aplicação dos questionários, zelassem por questões comportamentais, buscassem inspirar confiança e demonstrassem respeito. Em todas as cidades foram aplicados pré-testes com o objetivo tanto de capacitar a equipe de campo como de aperfeiçoar os instrumentos desenolvidos. 

            O princípio do anonimato foi fundamental ao longo da consulta. A análise dos questionários, de cunho interpretativo, apoiou-se nas categorizações internas criadas com base nos enunciados dos atores, o que permitiu construir referências para a organização das questões levantadas pela consulta. O trabalho de categorização foi realizado entre as consultoras e a equipe técnica, com o apoio do conselho consultivo. Sem julgamento de valor, cuidou-se de captar a centralidade e a natureza dos elementos expressos pelos argumentos dos entrevistados.

 

Veja também:

Concepção

Universo consultado

Caracterização geral dos atores consultados

Principais achados

Tabelas e gráficos

Instrumentos da pesquisa

Escolas consultadas

Recomendações

Perspectivas e desafios